sexta-feira, 22 de abril de 2011

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 "... o tempo é a minha substância. Não há como separar o passado de mim. Muito menos o presente. O futuro, incerto e assustador, completa-me. As minhas palavras, os meus sentimentos e pensamentos, todo o meu ser, estão ligados firmemente ao tempo. É a criança que brinca na chuva ou o sol que, sorrateiramente,  entra pela janela; a fotografia envelhecida ou o simples correr das nuvens no céu. O tempo sou eu, com 20 e poucos anos. E será eu, com cabelos brancos e pele enrugada. O meu tempo passa por mim e nunca deixa ninguém para trás. Ele é como minha respiração: não a percebo, mas sei que está em constante trabalho...''


Por Hanna, em " Um pouco de mim "
Fragmento de alguns do meus inúmeros capítulos de uma história sem fim. Um dia eu junto tudo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

" Iguais e Diferentes "


Se a princípio, nascem iguais
e nos fins, morrem iguais
Diferença é moda
passa uma e outra, todos buscam
No entanto,
reprimo a diferença
quão contraditório é,
ser diferente e não aceitá-la
Um quadrado a que pertenço
exclui um igual a mim
Pois não é igual a mim
um ser que é diferente?



segunda-feira, 18 de abril de 2011

The Catcher in the Rye


" Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz."

The Catcher in the Rye

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um olhar normal

Uma garota sentada num banco do ônibus. Sozinha. Olhava pela janela a chuva lavando o céu da poluição. Trazia uma fisionomia triste. Pensamentos desolados. O dia correra, rotineiramente, sem imprevistos. Sem surpresas. Sobrara aos cantos, como o de costume. Nas ruas, as pessoas desviavam de seu caminho. Nem ao menos algum par de olhos fora levantado ao seu encontro. Quase perdera o ônibus por um simples acaso, paradoxalmente, comum: o motorista não a enxergara. Na traquilidade do lar, o quarto frio a esperava; o quarto frio e seus objetos frios. A cozinha e suas panelas, brilhantemente organizadas, sós. A sala. o sofá macio. A sala vazia. O sofá desocupado. O dia não fora bom. O dia nem fora ruim. Fora normal. Normal como as pessoas que sempre andavam às pressas. Os diálogos deixados de lado. Normal como o sol de manhã e a chuva ao entardecer. Isso tudo a aborrecia. A normalidade a fatigava. As coisas não mudariam com um simples respirar. O mundo seria o mesmo. As pessoas odeiam mudanças. Elas se amam e, depois, amam o resto. A garota era mais uma pessoa. Não era esgoísta ao desejar um fração da atenção que nunca lhe fora dedicada. Era igual a quem imagina que seja. Amava a si mesma, porque se não amasse ficaria ao léu. E amava o mundo. As outras pessoas, o céu, o tempo; o resto. Ao olhar pela janela, naquele dia no ônibus, viu seu rosto refletido. Ao vê-lo, vislumbrou mais profudamente outro rosto. Percebeu olhos, que não eram os seus, fitando-a pelo reflexo fraco do vidro. Os outros olhos, ao fitá-la, reconheceram na garota que fora descoberto. O par de olhos, rapidamente e disfarçadamente, desviou a vista para a rua e as ávores. Mas voltou a fitar ligeiramente a moça do banco da frente, agora cara a cara. Demoraram-se um no outro, por alguns segundos. E por fim, separaram-se. Cada olhar seguiu seu caminho. Assim, como a normalidade de tudo mandava. A garota sentada num banco do ônibus, já não tinha uma fisionomia tão triste, ou sequer, pensamentos desolados. Afinal, apesar de tudo, fora notada por um simples olhar normal.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Minha escrita é fraca

Minha linguagem é simples. Meu polegar, calejado. A escrita, melancolicamente, fraca. Sem rodeios. Não há rebuscamentos, muito menos exagero. As palavras exprimem o óbvio. Às vezes de maneira eloquente e outras vezes sutilmente. Escrevo como alguém prestes a afundar. Assim, minhas palavras gritam, sufocam-me, e emergem expressando somente parte do que sinto. Minha escrita é fraca. Tenho meus erros. Tenho defeitos. Mesmo assim, escrevo, escrevo sem parar. Afundaria se não o fizesse. Mas o sentido daquilo posto no papel, vez ou outra foge. E sem rodeios, rodopia. Até que me esbarro num ponto sensível. Epifanicamente, percebo que da escrita fraca, algo brilha. Uma palavra. Uma frase. Com simplicidade, mostra um sentido antes despercebido. Acaba dizendo o que achava impossível de se dizer. De um verso qualquer, obscurecido pela minha contida visão, surge algo que clama...aquilo que não sabia clamar.
Então, todos podem. Creio que podem falar de alguma forma os mais profundos pensamentos. Sem saber escrever, escrevi algo que fez sentido. Posso cantar, pintar, dançar, mesmo sem compreender, e dizer muito mais. Do mais simples, faço brotar vida. Minha escrita é fraca e não me importo. Não me importo em não saber escrever. Só me importo que posso dizer muito mais, sem saber escrever, a dizer limitadamente o mínimo sabendo escrever o mundo.